9 de novembro de 2015

"Eu vim parar na rua porque tive uma desilusão com minha mulher."

Genivaldo, 49 anos, desempregado e divorciado.
Quinta-feira, 05 de Julho de 2015. Centro de Maceió.




  "Homem de Deus", de Fernando Bonassi.



"Era ninguém. Vivia perdido pelas ruas da amargura mais azeda. Nunca soube direito o que fazer. Quando achava que sabia, não encontrava. Minha mulher me largou por outro, que tinha quase tudo o que eu tenho, levando as crianças, que eu também não poderia criar. Roubar não roubei, que tinha vergonha... ou medo, sei lá. Fumar, não fumo. Cigarro é caro. Beber, eu bebi. Mas pouco. Depois, mais um pouco. No fim, bebi todas. Então, encontrei Deus. Foi numa esquina aí. Disse a ele o que tava entalado na minha garganta seca. Tudo isso não é coisa que se faça comigo!"


                              




Olá, urbanoide! Confira o vídeo feito dos fundos do antigo prédio da Previdência Social, que foi ocupado por famílias sem-teto!


video

Os fundos do antigo prédio do INSS


Do que adianta fornecer uma pseudo-educação, se nos fundos da Biblioteca Municipal cria-se um lixão? 

Era uma tarde de quarta-feira do mês de Novembro, e eu estava em busca de lugares e pessoas para fotografar. Passando pelas ruas do centro -mais precisamente na Praça dos Palmares- me deparei com o antigo prédio da Previdência Social, que foi ocupado por famílias sem-teto. A frente do prédio em si não está numa situação tão degradante assim, eu fotografei, mas não senti que causaria impacto... foi então que me recordei que nos fundos da Biblioteca Municipal eu conseguiria ver bem de mais perto como andava a situação. Pra quem nunca foi a tal lugar, é importante saber que ficam frente à frente os fundos do prédio e da Biblioteca. Quem está nessa última, dá de cara com isso: 




Maceió é uma cidade cheia de contrastes, alguns exposto e jogados em nossa cara; e outros escondidos, que fingimos não ter acesso, e esse é um bom exemplo: De um lado um lugar "público" e que serve para """fornecer""" cultura, completamente organizado, arejado e conservado; de outro o abandono de famílias em uma situação deplorável de vivência, que estão começando a montar uma espécie de lixão, jogando restos de comida, e toda espécie de sobra janela abaixo; criando dessa forma um amontoado de lixo, repleto de ratos, acompanhados de um enorme mau cheiro que se sente até da biblioteca que foi recentemente reformada. 

Quanta dissemelhança, não?!

Eu torço para que um dia os contrastes sejam belos, e não remetem a pobreza e riqueza. Que girem em torno de cores marcantes, como a da minha pele e a de um branco, como o meu cabelo e de um loiro, de olhos claros e escuros, sorrisos brancos e amarelos. E que sejamos, apesar disso, todos iguais e tenhamos os mesmos diretos, como educação e moradia.

Frente do Prédio do INSS, Praça dos Palmares. 


Frente da Biblioteca Municipal, no centro de Maceió.


Por: Gisele Nascimento 



7 de novembro de 2015

Sem Capa
                                                    
Eu vi um menino do cabelo encaracolado,
Todo esperto, mas meio acanhado 
Camisa Verde do Ben 10,
E um chinelo gasto nos pés.
Me disse que ia a escola apressado
porque às vezes não tinha tempo,
Tinha que vender balinha nas ruas do centro.
Se chama Guilherme, e tem oito anos
Sim, ele devia estar brincando
Sonhando ser o Ben 10, ou Power Ranger Azul
Mas... ah, Guilherme!
Muito mais resistente que eles é tu!


             (Gisele Nascimento)

Guilherme, 8 anos. 

Quarta-feira, 4 de Novembro de 2015, Centro de Maceió.




Movimento Nacional da População de Rua: Conhecer para Lutar

A Cartilha para formação política do Movimento Nacional da População de Rua: Conhecer para Lutar, tem como objetivo contribuir com a formação e organização política das pessoas que estão vivendo nas ruas e de toda a sociedade, abordando os motivos que levam as pessoas às ruas, as violações pelas quais passam, noções sobre direitos e a importância das políticas públicas.


Por Erivelton da Silva


 

Política Ineficaz ou Falta de Interesse de agir?

   Andar pelo Centro e outros locais de Maceió permite a observação de que o governo municipal faz excelente parceria com o as gestões estadual e federal no sentido de negligenciar a população e permitir que pessoas cheguem a níveis desumanos de vida. A quantidade de moradores de rua é o reflexo de uma prática que já virou tradição no Brasil: o Poder Público acha normal que pessoas vivam de forma precária, jogadas nas calçadas, à míngua, se alimentando de cola de sapateiro e se graduando no crime de esquina em esquina. Mas o que leva uma pessoa a morar nas ruas? – Se é que ela já não nasceu por lá. Certamente não é a falta de lei, pois bela é a Constituição Federal que de fato define, mas de forma alguma garante os direitos sociais que exprime em seu artigo 6º: “São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.”
     Não soa como antagonismo ‘a assistência aos desamparados’ ao final deste artigo? Pois se o artigo começa definindo os direitos sociais e se todos esses direitos fossem de fato respeitados, não haveria quaisquer desamparados.
     O Brasil é mesmo um país rico de leis e paupérrimo no cumprimento de seus comandos. Já está demonstrado claro cinismo constitucional que segue prosperando nos âmbitos estadual e municipal. Será que os impostos exorbitantes que enchem os cofres dos governos não bastam para evitar que pessoas sejam “tentadas a vagabundar” pelo resto de suas vidas?
     É bem fácil para os que não são moradores de rua, imaginar que viver nessas condições degradantes é apenas uma opção de vida. Mas provavelmente, se houvesse uma política pública eficaz e interesse de agir nas medidas certas da honestidade que resguarda uma nação saudável, além de desnecessário, viver nas ruas não seria permitido.
     O que talvez salve a pele do artigo 6º da Constituição seja o fato de não está explícito quem é o sujeito destinatário desses direitos, assim fica mais fácil compreender por que poucos os detêm de verdade.



Escrito por Erivandra Marques

5 de novembro de 2015

Do interior à capital

Olá pessoal, sou Erivelton da Silva, tenho 20 anos e curso Letras na UFAL. Moro no interior e por isso eu não convivo com muitos moradores de rua. Isso me choca mais quando venho para a cidade grande, Maceió, e me deparo com uma cena de uma mãe e seus filhinhos deitados no chão. Cenas como essas, que para mim são absurdas, parece ser tão comum que as pessoas nem se importam mais. Daí o título do nosso blog.

Contudo, fico maravilhado em ver, mesmo que poucas vezes, pessoas que enxergam esses invisíveis ao ponto de se mobilizarem em ajudá-los. Dá-me, sinceramente, esperança de que um dia esta nossa sociedade será melhor. Sei que possa ser utópico, mas eu acreio veemente que nessa possibilidade